A Parker Fly, criada por Ken Parker a mais de uma década, tornou-se um clássico moderno, com um design arrojado e marcante, e a utilização de técnicas e materiais inovadores na sua construção. A nova linha de guitarras Parker fabricada na China apresenta construção e materiais bem mais tradicionais e acessíveis, mas tem na excelência do design Parker seu grande diferencial.
Parker P-30 A P-30 é uma guitarra nitidamente inspirada numa Stratocaster, mas com os contornos de uma Parker Fly, numa combinação interessante. Possui 3 captadores single-coil com parte elétrica padrão de strato, 1 volume e 2 tone com chave de 5 posições. A cor da guitarra avaliada é um creme dos mais tradicionais de Strato e combina muito bem com o escudo peroloid branco, sendo que o headstock pintado de preto completa tudo com um ar hi-tech. Apresenta corpo em poplar e braço em duas peças de maple, com escala colada também em maple, com 22 trastes médium-jumbo e ausência total de marcações frontais, característica comum à todas as Parker, assim como o tensor com catraca de acesso rápido (que vem até com um pino metálico específico para o ajuste do tensor) localizada no encaixe com o corpo, e o headstock extremamente delgado e angulado, que conta com excelentes tarrachas Grover 18:1. A pestana é de plástico preto e tem 42mm de largura. O acabamento do braço e dos trastes é bom, mas achei o tom da seladora utilizada amarelado demais, tornando o visual natural do maple muito semelhante ao do pau-marfim. As peças são todas cromadas e outros detalhes que lembram uma strato são a ponte e o ângulo do braço em relação ao braço praticamente nulo, deixando as cordas bem próximas ao corpo, que por sua vez possui um suave abaulamento na parte frontal e chanfros traseiros harmoniosos e bem localizados. O braço é fixado ao corpo por meio de 4 parafusos com buchas individuais, e o pino da correia fica logo acima, na parte traseira do chifre superior.
Trata-se de um instrumento bastante leve e ergonômico, onde prevalece a sensação de estar tocando uma strato das boas. A pegada do braço é muito boa para sua faixa de preço, e o raio composto da escala (10” nos primeiros trastes e 13” nos últimos) o tornam bem ágil para solos. Os captadores single aparentemente são bem simplórios, mas possuem um bom timbre, apesar de serem um pouco barulhentos. A salvação é que há hum-canceling nas posições 2 e 4, aliviando o chiado com a utilização de drive. Mas os timbres clean são bem legais, apenas um pouco magros, talvez pelo fato do encordoamento original ser .009. Um bom jogo de cordas .010 com certeza é a solução. Com distorção, realmente sente-se a falta de pelo menos um humbucker na ponte, mas essa modificação é bastante simples, pois, até mesmo prevendo isso, o corpo possui inclusive escavação de humbucker na ponte, facilitando bastante essa operação. Basta uma leve modificação no escudo e pronto!
Parker P-42 A P-42 é a versão da Parker para uma Gibson, e isso pode ser notado no ângulo do braço, na ponte Tune-o-Matic com cordal e nos dois humbuckers. Seu corpo é em mogno, ressaltando ainda mais minha teoria. A cor do modelo testado era um preto metálico que conferia à guitarra um ar sóbrio e moderno, acentuado ainda mais pelo hardware todo preto. Possui os mesmos 22 trastes, com escala em Rosewood de excelente qualidade, mas o braço deste modelo é constituído de apenas uma peça de maple, sem a necessidade da colagem espanhola visto que o headstock com o design Parker é paralelo à escala, como numa Fender. Acho que tal tipo de construção seria mais coerente com a P-30, enquanto que o headstock angulado da P-30 seria perfeito para a P-42, afim de complementar a química de uma Gibson. Sinceramente, não entendi essa fusão de conceitos.
Mas tocando com a P-42 você se sente com uma boa guitarra de dois humbuckings, com timbre gordo e agressivo, com a vantagem de ser extremamente leve e bem balanceada. A pegada do braço “C” shape é ótima como a da P-30, mas há um pouco de madeira em excesso na parte traseira do braço na região da pestana, que não precisava ser tão reforçada. Sua pestana possui 42mm de largura e é de um plástico preto que parece grafite. Os timbres clean soaram claros e encorpados mas é com drive que ela realmente detona, pois tem humbuckers confiáveis de alnico, com boa clareza e nível de saída. Possui volume e tone master e chave de 3 posições. Um fato curioso é que os humbuckers possuem molduras, detalhe que achei estranho pois tenho certeza que ela ficaria bem mais interessante e fiel ao design clean e futurista das Parker com os humbuckers fixados diretamente na madeira. Mas estranho de fato é que no site da Parker esse mesmo modelo aparece sem as molduras. Será que perceberam isso também? Espero que sim!!!
Conclusão As Parker P-SERIES são guitarras populares, mas com tocabilidade, design e personalidade de dar inveja à guitarras bem mais caras. Além do mais, tudo que nos faz sair um pouco da mesmice é sempre bem-vindo. Caras inovadores como Ken Parker só surgem de vez em quando...
Especificações:
P-30 - Corpo de Poplar - Braço em 2 peças de Maple - Escala de Maple com 22 trastes - Pestana com 42 mm de largura - Tarrachas Grover 18:1 - 3 captadores single-coil - Ponte com alavanca - Peso 7,72 pounds*
P-42 - Corpo de Mogno - Braço de 1 peça de maple - Escala de Rosewood com 22 trastes - Pestana com 42mm de largura - Tarrachas Grover 18:1 - 2 Humbuckers de alnico - Ponte Tune-O-Matic com cordal - Peso 7 pounds*
Banca dos Jurados
Indicada para: P-30: Guitarristas que querem uma guitarra com timbres de Fender Strato mas com design diferenciado e inovador P-42: Guitarristas que gostam de timbres mais parecidos com uma Gibson mas curtem um visual de guitarra mais high-tech
Prós P-30: Bons timbres, leve e confortável, tarrachas de qualidade, visual clássico e moderno com preço acessível P-42: Ótimos timbres de humbucking em uma guitarra extremamente leve e confortável, tarrachas de qualidade, Design que lembra muito a Parker Fly original a um preço bem convidativo
Contras P-30: Pick-ups um pouquinho barulhentos P-42: Excesso de madeira na parte traseira do braço na região da pestana |